UM DORITOS, POR FAVOR.

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Quando fui em direção ao fim.

O que me assusta é ver o fim. Do caminho, da jornada, ou o de qualquer outra coisa. Aquilo que se enxerga mesmo quando se encontra distante, longínquo. Não que isso seja ruim, existem períodos que definitivamente precisam acabar, e para isso estabelece-se um limite. Uma linha que cruza uma etapa à outra, algumas vezes retas, noutras com inúmeras curvaturas, em que não importando o caminho ou sua dificuldade, o final será exatamente o mesmo.

Mas como numa moeda, que é provida de duas faces, existem também os finais que deixam suas marcas para se tornarem inesquecíveis. Aqueles que quando se vão, levam parte da gente e nos deixam como um quebra-cabeças em que falta alguma das mais importantes peças. Incompletos, ou seja, sem aquilo que nos falta, corremos na procura de algo que possa nos preencher, antes que o vazio o faça.

Caminhamos então aos trancos e barrancos. Rumamos em direção à um outro fim, mesmo quando nossos pés estão cansados, mesmo quando nossas lágrimas dão lugar aos sorrisos, mesmo quando à vontade é de desistir, nós continuamos. Pois por mais que o fim seja assustador, o recomeço é pra quem tem coragem.

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Quando notamos o sentido disso tudo.

Não sabia como escrever. Não que eu não quisesse, era só que eu realmente não conseguia lidar com a junção das palavras de forma que fizessem tanto sentido quanto faziam na minha mente, e de vez em quando, nem ali faziam. Coisa non-sense mesmo, mas vai mais ou menos assim:

Eu me encontrava nesse dilema, nos meus quase-que-vinte-anos, perguntando-me o que estava acontecendo com esse mundo, sabe, essa gente que é tão gente quanto eu e tu. Volta e meia me pegava na mesma mania enquanto caminhava entre as avenidas, observando as faces alheias, e perguntando-me quão intrigante seria a história dessas pessoas que ali passavam, às vezes felizes, algumas tristes, outras cansadas, mas todas vividas.

São vidas, e quando passam, embora muitos não vejam, levam consigo momentos, lembranças e o mais importante: sentimentos. Daqueles que se sente até não poder sentir mais.

A gente (humanos em toda sua humanidade, jeitos e costumes) têm essa paixão por dar vida as coisas, quase que uma tentativa ousada de brincar de Deus numa mínima escala. Não precisamos de muito pra isso, na verdade é só lembrar. Daquela medalha ganha por mérito na primeira série que anos depois se substituiria pelas suspensões por conversar e brincar demais em aula, da foto que tu levas na carteira para que tu possas exibir a família linda que tens, da roupa que usastes no teu primeiro encontro e até no teu primeiro beijo, aquele meio sem rumo, meio sem gosto. Da pulseira da festa mais badalada da cidade, do primeiro acorde que tocastes no violão, da primeira carta de amor que te fizestes chorar feito a chuva que lava o inverno no seu mais rigoroso estado.

Somos todos muito únicos embora unidos pelo mesmo ato de sentir. As pessoas vão esquecer teu rosto, e até tua voz, mas nunca vão deixar de lembrar o impacto que tu causastes no mundo delas.

Do mais pobre ladrão em toda sua miséria, ao mais alto nobre de estômago cheio, todos guardam o seu souvenir por aí. Porque todo mundo tem medo de se perder, de se desprender das amarras do que já foi e viver o que é, sonhando no que vai ser. Então nos apegamos naquilo que inevitavelmente nos leva ao passado, mas mais precisamente às nossas memórias e o que elas nos fizeram sentir.

Mas quando foi que a Terra começou a girar ao contrário?

É simples: O que muda o mundo não se compra, nem se explica. Anda escondido dessa tristeza que corrói as ruas. O amor tá por aí em algum lugar, sendo plagiado pelos que acham amar quando sentem apenas suas próprias dores, e enxergam apenas com seus próprios olhos.

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Quando o tempo não parou de passar.

Correm os segundos que não voltam mais. O que volta é a vontade, o desejo e até a intensão, mas definitivamente o tempo é sempre contínuo, sem dó, sem perdão.

O que foi, foi, e aí fica pra trás. O caminho que tu escreves fica ali, nunca foge aos teus olhos, embora nele tu não possa mais tocar. A ilusão de refazer os passos dados nessa trilha cimentada não pode ser refeita com uma borracha e um lápis qualquer.

Enquanto alguns se perdem nas lembranças do passado, outros buscam por outros sonhos, alçam novos vôos, na esperança de outros ares e lugares.

O melhor refúgio é sempre aquele que não te faz estagnar em esquinas que já ficaram pra trás, porque não importa quais sejam os motivos, nem quão rapido tu corres, o relógio e o mundo continuam a girar. Então não para, por mais tentador que seja. Paradas já bastam as tuas fotografias na estante.

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Quando te apresentei os teus caminhos.

Quantas vezes fomos levados a planar em ares que não eram aqueles planejados por nós?

Não raro, nos encontramos nessa maré que nos leva sem que antes nos peçam permissão ou nos indaguem se é isso mesmo que queremos, se é isso que vai nos fazer bem. É como se fosse um trajeto escuro em que tu andas com preocupação justamente para que não tenhas nenhuma surpresa pelo caminho. E aí, de repente tu te encontras caído num buraco qualquer.

São as escolhas que tu vais fazer a partir disso, que vão te mostrar a amplitude do caminho que está por vir. A grande verdade é que essa é uma caminhada de dois simples, porém, objetivos, percursos que te definirão.

Existe a maneira fácil, onde tu podes culpar o mundo pelos danos que tu sofrestes, sem rever teus próprios atos, consequentemente cavando um buraco mais fundo, transformando-te em um mero número, destes que só existem para somar mais um em absolutamente nada. Mas há também os que lutam, erguem as espadas e não se deixam abater em plena guerra, por mais desvantajosa que possa parecer.

Porque verdadeiros heróis são esses que enxergam uma luz no fim do túnel, mesmo que ela não exista.

Se a vida te tirar todas as respostas, em segundos te fechar todas as portas e apagar todos os teus sonhos, então tu tens que ser forte. Porque é na força da derrota que existe a maior glória. A magia por trás disso tudo, não te dá só um novo rumo, te apresenta um novo mundo.

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Quando a cobrança tirou meu rumo.

Meus olhos se abriram embora eu relutasse, e eu soube que o sonho havia acabado. A verdade é que a coisa mais pontual que existe é a vida. Ela nunca se atrasa, a menos que tu atrases ela, mas aí a culpa é inteiramente tua. Sei disso porque é uma realidade que me assombra constantemente, tu te perdes quando tuas escolhas se confrontam com tuas vontades e os teus caminhos se tornam… Bom, eles não se tornam. Ficam estagnados. Mas o que seria se tudo fosse diferente, se tu tivesses cruzado por outras ruas, trombado com outros obstáculos? 

Tu serias mais forte, mais feliz, ou estarias nesse momento pensando em como tudo seria diferente se tivesses rumado para esse caminho que tu rumas hoje e te faz pensar em tudo isso de novo?

Esse é o círculo em que tu te perdes. Da vida, de ti. Tu começas a pensar demais em como tudo teria sido, questiona tuas decisões, ações e até tu mesmo quando te olhas no espelho. Mas a vida é rigorosa e nunca te devolve os minutos perdidos. Enquanto tu buscas respostas onde não tem, e te perdes cada vez mais em ti, a noite dá lugar ao dia mais uma vez e então tu é obrigado a abrir teus olhos de novo.

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Quando as janelas me pregaram peças.

Incompleto. É assim que eu me sinto quando olho pro lado e vejo pela janela nada mais que a estrada que me leva pra longe de ti, ao passo que deixo meus pedaços pelo caminho. Ela se torna cada vez mais escura e eu me pergunto se isso faz parte do nosso plano, se existe um plano e quando essa dor vai passar, quando o vazio vai ser preenchido de novo. Parece que esses kilômetros ficam gravados um à um no meu coração, como alguma espécie de tatuagem que não sai fácil e que me amedronta todas as noites antes de dormir, quando me deito sob os lençois que não são mais aqueles que tu também deitaste há pouco tempo atrás.

Então eu fico arquitetando projeções, brincando de moldar o futuro de uma maneira que me faça estar contigo pela manhã. Mais ou menos quando o sol ainda se encontra lá fora, as janelas se encontram fechadas, e a única luz do recinto é a que emana da tua alma. Me aquece.

Aí abro os olhos e tudo é tão real de novo. A janela agora é outra, uma dessas que não me levam até ti, e eu continuo tentando montar esse quebra-cabeça, desejando ouvir tua risada mais uma vez.

Por que faz pouco, tu ainda estavas logo aqui, com os braços entrelaçados na minha cintura, enquanto eu podia ouvir tua respiração. Era real. Tão real que hoje deitado em outro-quarto-que-não-aquele, me pergunto quando o sonho vai deixar de ser sonho pra nós podermos sonhar acordados.

Vivamos nosso final feliz.

1 note → "Loucura é viver na inércia." -- Luann Silva.
9 notes → "Pensemos no destino como uma grande cidade, e que nela as esquinas são muitas. Só resta saber onde tu vais dobrar." -- Luann Silva
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Quando meu caminho cruzou o teu.

Os ventos se exibiam de forma impiedosa. Passavam como uma navallha que encosta a carne e deixa a dor, porém sem marcas. O frio intenso não me desmotivava, na verdade ele exercia completamente o oposto. Quanto mais me doía seguir em frente, mais eu me sentia vivo. E acredites, quando tu estas sozinho num lugar onde o único som que tu ouves são teus pés atingindo o solo, tu precisas te apegar em algo ou em alguém. 

Meus olhos quando não estavam fechados, observavam uma longa estrada. Dessas que tu vês nos filmes norte americanos, que levam à algum lugar. Mas nem isso eu sabia. Se realmente havia um destino ou até mesmo se ele valia. Eu continuava em frente porque acreditava haver um propósito naquilo tudo, acreditava em mim, precisava acreditar.

O pior de tudo era saber que tinha sido uma escolha minha trilhar sozinho esse caminho. Vezenquando aparecia alguma turva silhueta no horizonte que eu logo deixava passar. Simplesmente não podia, não queria e não iria viver outro alguém. Travar mais uma destas guerras amorosas, em que os exércitos sao compostos por duas pessoas que se machucam até desacreditarem no amor. E embora as cicatrizes que eu levava no peito não fossem recentes, tinham sido profundas o bastante para me manterem afastado.

Aí chega um ponto em que tu te cansas. Disso de estar machucado, de não ter ninguém do teu lado, de viver o errado. E a estrada que antes era reta e sem fim, começa a ter lá suas bifurcações. Numa dessas que minha esquina se cruzou com a tua, e por algum motivo eu virei. Na verdade foi porque pela primeira vez me senti seguro no desconhecido, e só de olhar teu sorriso me esquecia do frio que um dia me atormentara as entranhas.

Eu ainda não sei onde tu vais me levar, nem por quanto tempo tu vais estar lá. Não me sai da cabeça a idéia de que devo lutar. Então preparem os canhões, recarreguem suas armas, provemos que somente o amor vai nos curar.

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Quando quebrei o paradigma.

Prisioneiros de nós mesmos, das coisas que nos cercam e dos sentimentos que sentimos. Eu, você e qualquer outra pessoa estamos presos. Seja na lembrança de uma viagem inesquecível que enche teus olhos de lágrimas numa tarde de domingo, ou num sentimento que foi muito mais que o teu próprio coração pôde aguentar quando tu simplesmente não conseguistes evitar. Seja numa música que ficara gravada nos teus ouvidos, ou num feito teu que tu queiras voltar atrás. Constantemente nos encontramos ligados à algo, e nem sempre é facil se desprender, cortar as cordas, desatar os nós.

Estamos acostumados a aceitar as coisas como elas aparentemente são, insistimos em criar um suposto destino e culpá-lo por nossos erros, fracassos e falta de oportunidades. Eis as nossas algemas, que se apertam cada vez mais.

É como escrever tua vida à caneta, página por página, em letras miúdas. Uma hora ou outra, tu erras algumas palavras, acrescenta outras. Conta histórias que preferia esquecer, ou enche os parágrafos sem ter o que dizer. No final vira um livro maior do que realmente deveria porque nunca tu pudestes realmente apagar algumas partes que já não deveriam estar ali, partes que não eram mais parte de ti.

Eu decidi há algum tempo me livrar de algumas destas páginas, estilhaçar as canetas e atear fogo nas amarras. Optei por ficar só com a essência, ser o melhor de mim mesmo, não pelo que eu era mas pelo que eu posso ser. Só me restaram as cicatrizes que não saem com qualquer borracha, mas delas até que gosto, não me deixam esquecer das batalhas que já ganhei.